Pages

  • Twitter
  • Facebook
  • RSS Feed

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Viagem Temporal

8 comentários:
 

     Um dia comum de colégio, uma aula sem muito entusiasmo, todos já esperavam o sinal tocar e assim poderíamos todos guardar nossos materiais surrados e já muito folheados.
      Num suspiro de cansaço, uma menina sussurra a possibilidade de viajar. Mas não uma viagem comum, com a família, com todos aqueles que sempre as fazem. Uma viagem onde ela pudesse ter aqueles com quem passou anos e anos lado a lado, na luta pelo conhecimento básico.
      Ao ouvir, o professor, que também já encontrava-se exausto, decidiu que o faria. Não só pelo interesse da menina, mas porque ele, que já lecionara aos mesmos alunos por um bom tempo, iria fazer uma longa viagem para o exterior, perdendo a maior parte do contato que sempre teve com seus alunos.
      Data marcada. Todos iriam fazer uma viagem, para não muito distante, mas que talvez mudaria o rumo da vida de alguns ali presentes. Até que o dia da tão esperada viagem chegasse, todos permaneciam entusiasmados.
      Entusiasmados com o quê? De fato, viajar com amigos para qualquer que seja o local, é divertido. Mas essa não era uma viagem qualquer, não para todo mundo. Talvez o significado não fosse tão forte quando poderia ser. A saída de alguém que certamente se empenhou para que todos nós tivéssemos a mínima condição de utilizar as ferramentas certas com os problemas que fossem coerentes, era, querendo ou não, algo a se considerar.
      Olhando de tal forma, parece história dramática, mas não é bem assim. É uma questão de valores, sociais, éticos. Mas não importa.
      Chegando o dia, todos nós continuamos animados, vamos viajar. É feita aquela velha chamada de nomes, escritos numa velha lista de frequência, que sempre temos de assinar. Afinal, ninguém quer se responsabilizar tanto assim por você.
      De um a um, todos entram no ônibus e começa o passeio. Triste começo para aqueles que gostam de viajar ao silêncio. Ninguém sequer parou de cantar, gritar, pular. Ao passar por alguém, por mais estranho que fosse o sujeito, por mais estranha fosse a situação, todos gritavam e acenavam para o desconhecido.
      É estranha essa sensação de liberdade. Seria incrível se não cômico dizer que ficamos mais humanos quando num passeio escolar, mas não deixa de ser verdade. Devíamos acenar mais para estranhos, nada mais que um feliz incoveniente.
      E a viagem continua. Os gritos, os pulos, as canções e os acenos são constantes. Até que avista-se a placa de boas vindas da cidade. Agora inicia-se um novo padrão. Todos começam a planejar seus feitos nos dois locais que visitaríamos.
      Primeira parada, exposição artística. Ouvimos diversas histórias e explicações sobre cada pecinha guardada no museu. Enquanto isso, as garotas brigavam com seus próprios cabelos chapeados, chovia naquele momento. Alguns alunos andavam pelos corredores e aposentos do museu, fazendo seus próprios tours.
     Todos de volta ao ônibus, é hora de ir ao shopping. Com certeza era a hora mais esperada por todos. A acústica daquele museu era horrível e mal ouvíamos o que o senhor queria dizer.
Ir ao shopping com aquela quantidade de colegas e amigos era no mínimo entusiasmante.   Chegando lá, todos já haviam formado seus grupinhos. Na maioria, meninos saíram com meninos e meninas com meninas. Tínhamos um objetivo diferente naquele dia.
      Após um lanche e alguns compras, a maioria, se não todos os garotos dirigem-se à estação de jogos. Ao contrário das meninas, que procuram por roupas e calçados mais novos e descolados. Mas tinhamos uma missão, e era hora de matar a saudade daqueles fliperamas arcaicos e desvalorizados.
      Depois de muita brincadeira, fomos ver o tal Lanterna Verde em 3D que tanto estávamos à espera. Compramos ingressos, pipoca e refrigerante, como de costume e adentramos na sala. O filme começa.
      Enquanto os meninos apreciam os efeitos especiais, sangue, mortes e analisam minuciosamente as leis da física presentes nas cenas, as garotas tentam chegar numa conclusão aceitável de que ator é o mais bonito. Não importa o quão idiota seja o seu papel, o importante era que ele tivesse músculos e um carro legal.
      Ao fim do filme, era hora de voltar ao ônibus e assim começar uma nova viagem, de volta para casa. Pode parecer triste agora, mas já estávamos cansados daquele lugar. É incrível como algo pode passar de muito interessante para uma chatice total dentro de algumas horas.
      De volta ao colégio, enquanto alguns alunos iam para casa, outros esperavam seus pais, e o professor, com um sorriso de missão cumprida no rosto, despedia-se de seus alunos. Mas não era um adeus, não ainda.

      Alguns dias se passam, e a última aula espera ser dada. Mas aquele professor não estava lá para falar da história da arte moderna ou algo do tipo. Era, de fato, uma despedida.
Após um breve discurso, que fez muito chorarem, foi passado um vídeo que ele elaborou com algumas fotos da viagem e de alguns alunos à parte, junto à varias frases de teor emocional profundo.
      Toca o sinal. Aquele que desejávamos tanto que tocasse na última aula, agora soava como um choro de despedida. Todos se cumprimentam e desejam boa sorte em seu caminhos e ele vai embora.
      Era só mais um professor, mas certamente, existe muito mais complexidade nesse termo comum, do que naquilo que ele escrevia no quadro diante de seus aprendizes.

8 comentários:

  1. Cara Kelvin, sua escrita é muito boa. Sério!
    Bem que eu queria ter você como meu beta-reader, mas sei lá, sou tímido demais pra dar "oi".

    ResponderExcluir
  2. Muito obrigado! Identifique-se. Poderíamos certamente trocar idéias :)

    ResponderExcluir
  3. Bem, talvez breve. Timidez as vezes não ajuda nada.

    ResponderExcluir
  4. Bem, é. Por enquanto realmente eu espero que continue postando aqui, porque realmente sua escrita é ótima. Me mordi de inveja. Ai, é meio estranho ficar falando por aqui. Mas, é.

    ResponderExcluir
  5. Haha, não há do que ter timidez, sério. As coisas são mais produtivas face_to_face. Enfim, muito obrigado!

    ResponderExcluir
  6. É que eu estou com um problema razoavelmente estético kkkkkk. Enfim, foda-se que é o msn do meu fake, mas pra sermos mais "normais": skyler-bucks@hot...

    ResponderExcluir
  7. É que eu estou com um problema razoavelmente estético kkkkkk. Enfim, foda-se que é o msn do meu fake, mas pra sermos mais "normais": skyler-bucks@hot...

    ResponderExcluir

Comente sobre o post, mostre sua opinião!

 
© 2012. Design by Main-Blogger - Blogger Template and Blogging Stuff